Amores e companhias

por Sofia Moraes

Pontes humanas

passadas e futuras

no tempo da memória

amorosa, calorosa

de amantes e figurantes

visíveis e invisíveis

vivem presentes,

entrelaçam-se

de história

nos oceanos de energia.

Nas relações entre gente

destacada da multidão,

que se propõe

aprofundar visão,

compreensão

de si,

do outro, do mundo,

do alcance maior

e sentido da vida presente,

os desafios fluem,

o alcance fica

preenchido

de propósito,

de qualidade.

Sentir em verdade

sintonia e partilha,

significado e valor,

sementes de luz

que ampliadas

e experienciadas

emanam

radiações de amor

apontam o caminho

de humildade e redenção

no templo interno

da alma,

onde o contacto interno

com mestres, guias

aumenta a com-fiança,

a consciência

de todo o sempre,

de tantos dias

e noites

de inverno e de verão

do coração.

A sabedoria universal,

a fonte espiritual,

conduz a vivência

de se se saber um irmão

ou não,

igual por dentro,

distinto, diferente,

específico, inteligente,

único, especial

na identificação.

Entre gente com relações

que se destacam da confusão,

mundo louco e triste,

falta de futuro e paz,

da maioria de nós

dominados por um medo,

uma emoção,

bloqueio ou tensão,

inconsciente de serviço,

trocando-o por escravidão,

transita-se no tempo

aperfeiçoando trabalho,

equilíbrio, onda

até ser o tempo

que já é tempo

de ser

o que se pode vir a ser.

Na progressão consciente,

lucidez na realidade,

o ser que somos

irá

aceitar e perceber

a sua narrativa,

música e palavra,

silêncio e conteúdo,

história e forma

de expressão,

de viver

para a sua construção,

para o seu destino livre

de tanta condição,

pensamentos,

formas

e acções encapsuladas

em reacções,

emoções,

vazios.

Olhar com o coração

os meios

de seguir os planos

da vida para si

vale cada respiração,

cada momento.

Requer abertura, ligação,

ideal, sonho,

práctica, flexibilidade,

capacidade de errar,

amar,

expandir depois de contrair,

permitindo a imperfeição,

condição dual

em aperfeiçoamento,

em transição.

Amores, companhias,

Amigos, empatias,

humores, alegrias,

tristezas,

cantorias,

filiações, humanias,

interdependências,

tribos e sintonias

não se perdem

quando se largam,

soltam

ou viram pedra,

cristal,

vida eterna

na dimensão universal.